Universidade Federal de Minas Gerais
Arquitetura e Urbanismo
As ideias que chamaram minha atenção nos capítulos 4, 5 e 6 do livro “Filosofia da caixa preta” de Vilém Flusser, foram o ato de fotografar ser comparado a uma caçada, mas em vez de explorar um espaço físico, o fotógrafo percorre uma densa selva cultural, pelo fato de ele usando a câmera, lida com categorias técnicas pré-definidas, o que limita as suas escolhas e transforma as influências culturais em imagens. Nesse processo, o fotógrafo toma decisões e enfrenta dúvidas, criando um jogo de diferentes pontos de vista, tornando-se inseparável do aparelho que usa. A fotografia, por isso, não é apenas uma reprodução da realidade, mas reflete conceitos e teorias, como nas fotos a preto e branco, que não existem na natureza, mas que representam uma forma abstrata de ver o mundo, ou nas fotos a cores, que, apesar de parecerem mais realistas, também escondem complexidades técnicas. A crítica fotográfica precisa, então, de desvendar essa interação entre o fotógrafo e o aparelho, já que, sem essa análise, a intenção dos dispositivos tecnológicos continuará a dominar a mensagem humana. Além disso, no mundo moderno, a fotografia tem valor pela informação que transmite, e não pelo objeto em si. As imagens são distribuídas em diferentes contextos, como ciência, arte e política, recebendo novos significados em cada um desses espaços. No entanto, a crítica fotográfica muitas vezes ignora a influência dos meios de distribuição, o que faz com que as fotografias sejam recebidas de maneira passiva, reforçando padrões de comportamento controlados pelos aparelhos que as distribuem.
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