Parágrafo - "Magia além da ignorância"

Parágrafo - "Magia além da ignorância"

     No texto Magia além da ignorância: visualizando a caixa preta, Ana Paula Baltazar e José Cabral Filho exploram como a tecnologia moderna, em sua complexidade interna e inacessível, desperta um fascínio semelhante ao que o desconhecido da natureza provocava nos povos antigos, levando-os a usar explicações mágicas e mitológicas. Os autores comparam a “caixa-preta” da tecnologia — especialmente a inteligência artificial — ao mistério e à opacidade, que geram admiração e receio, pois, embora baseada em ciência e conceitos como aprendizado de máquina e códigos de programação, permanece incompreensível para muitos. Assim, tecnologias contemporâneas, por realizarem tarefas complexas que parecem ultrapassar o entendimento humano, assumem uma aura quase mágica.

    Nesse contexto, Baltazar e Cabral Filho argumentam que a solução para superar a ignorância sobre esses sistemas seria "virtualizar a caixa-preta". Isso significa criar interfaces que possibilitem a visualização e interação direta com as tecnologias, permitindo ao público entender e experimentar esses sistemas de forma significativa e acessível. Tal proposta incentiva uma “mágica da experiência” — uma interação engajada e aberta que transforma o fascínio pela ignorância em uma experiência compartilhada e compreensível. Desse modo, a tecnologia deixa de ser uma "mágica do funcionamento" para se tornar uma “mágica da experiência”, onde o sentido é construído na interação, mais importante que a compreensão dos mecanismos internos.

    Com isso, os autores distinguem técnica e magia como conceitos criados para explicar o que é desconhecido e ressaltam que, com o avanço da tecnologia, o caráter mágico passou a ser atribuído a dispositivos tecnológicos de funcionamento opaco. Contudo, ao contrário da magia, a arte digital — que representa essa nova "tecnologia mágica" — não consiste na ocultação, mas sim na opacidade do funcionamento, em que a experiência e a interação com o sistema são mais relevantes que o conhecimento técnico do usuário. Para eles, valorizar essa “magia da experiência” implica transformar a caixa-preta em interface virtual interativa, promovendo a interação do público com a tecnologia sem impor uma forma pré-definida de comunicação, algo que as atuais práticas da arte digital ainda não realizam plenamente.

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